METSUL : O que esperar da volta da chuva nos próximos dias e semanas

9 de junho de 2024 - 15:15

A chuva vai retornar ao Rio Grande do Sul de forma mais generalizada a partir do próximo fim de semana, mas o cenário de precipitação que se esboça pelos dados de hoje é diferente daquele que se viu no fim de abril e no começo de maio, quando volumes absurdamente altos levaram a enchentes com gravidade jamais vista.

Felizmente, o retorno da chuva com maior frequência que se projeta para a segunda metade deste mês ocorre na sequência de uma primeira quinzena de junho marcada por pouca chuva em quase todo o Rio Grande do Sul, o que permitiu o recuo dos níveis dos rios e também do Guaíba em Porto Alegre.

Na capital gaúcha, embora o Guaíba ainda siga em condições de cheia, com cotas acima de 2 metros, o nível atual está cerca de três metros abaixo do pico da enchente e ainda cerca de 80 centímetros abaixo do nível de transbordamento no cais de 3,00 metros. As cotas atuais ainda seguem mais de um metro acima de um valor de normalidade, mas até sexta-feira o tempo firme predomina na bacia do Guaíba, o que vai permitir recuo adicional com prováveis marcas inferiores a dois metros no cais, quando voltar a chover, o que é um alento.

A realidade até agora em junho, assim, é muito diferente de maio. Enquanto os primeiros nove dias deste mês em Porto Alegre anotaram 17 mm, nos primeiros nove dias do mês passado a capital gaúcha somou 217 mm.

O QUE ESPERAR DA CHUVA NOS PRÓXIMOS DIAS

A semana que se inicia será quase toda ela marcada ainda pela predomínio do tempo firme com dias de sol e nuvens, mantendo o padrão atmosférico observado até agora nesta primeira metade do mês. Não há previsão de chuva para a esmagadora maioria dos dias desta semana em quase todos os municípios do Rio Grande do Sul. Nesta segunda e na terça, no Leste gaúcho, pode ocorrer instabilidade muito isolada e com baixos volumes, mas em poucos locais.

15, 16 e 17 de junho

Dia 15 – Conforme o que mostram os mapas, no  dia 15 a chuva se concentraria entre o Centro, o Oeste e o Sul do estado, mas sem volumes muito altos na maioria das cidades.

Dia 16 – A chuva aumentaria no estado e com volumes mais altos, mas ainda assim sem acumulados excessivos ou extremos.

Dia  17 – O  tempo seguiria com chuva na maior parte do Rio Grande do Sul, sem volumes muito altos na maioria das cidades.

Assim, ao menos a partir dos dados de hoje (9) o cenário para os dias 15 a 17, embora seja de chuva, não aponta volumes extremos que possam gerar novas grandes enchentes. Os níveis dos rios, como não poderia deixar de ser, subirão com a chuva, mas os acumulados previstos não apontam para elevações a níveis de alerta ou críticos.

Nesse sentido, é importante observar o que os modelos projetam para a soma de dez dias. os modelos, em geral, indicam precipitação na maioria das cidades do estado entre 50 mm e 100 mm no período e que vai se concentrar entre os dias 15 e 19. Os dados de hoje sugerem acumulados superiores a 100 mm, que são altos, sobretudo para a Metade Oeste.

UMA NOVA REALIDADE

A realidade mudou depois das enchentes do mês de maio e estamos sob um quadro que difere daquele de antes de 40 dias atrás. Os impactos da chuva nas cidades e nos rios hoje pode ser diferente do que normalmente estamos acostumados e que ao longo de anos de trabalho construímos parâmetros de previsão e impactos para a população.

As enchentes, conforme análises preliminares e relatos de quem está habituado com navegação, trouxe grande quantidade de sedimentos e terra. O delta do Jacuí e o Guaíba tiveram grande assoreamento, assim como provavelmente outros rios que passaram por grandes cheias como o Taquari, Caí e Sinos, o que aliás já estava agravado pelas cheias do segundo semestre do ano passado.

MACRODRENAGEM URBANA

Em Porto Alegre e outras cidades afetadas por inundações, grande quantidade de lixo e lama adentrou as redes de esgotos. Com isso, a capacidade de drenagem está reduzida em relação ao que se via antes da enchente. Logo, ruas que não alagavam com uma chuva diária, por exemplo, de 50 mm agora talvez alaguem e ruas que alagavam podem ter alagamento maior. Igualmente, arroios que cortam Porto Alegre e outras cidades da região metropolitana podem alagar com maior facilidade do que ocorria antes da grande enchente.

Matéria completa com mapas acesse  https://metsul.com/a-volta-da-chuva-o-que-esperar-para-os-proximos-dias-e-semanas/ .

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