Mulheres são maioria em universidades gaúchas que participam de consórcio internacional

4 de março de 2024 - 14:01

Uma parceria internacional possibilitou o levantamento de importantes dados relacionados à presença de mulheres em instituições de ensino gaúchas, nos anos de 2022 e 2023. O objetivo do projeto Mulheres na Ciência: parceria UK-Brasil para equidade de gênero é apoiar ações de promoção à equidade de gênero nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) – Science, Technology, Engineering and Mathematics.

O consórcio envolve três universidades líderes no Reino Unido – King’s College London (KCL), University College London (UCL) e Glasgow Caledonian University (GCU) – e quatro universidades gaúchas: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e Universidade Feevale.

As atividades incluíram a coleta de dados sobre a participação das mulheres em diferentes cursos, nos últimos dois anos, nessas quatro universidades do Rio Grande do Sul. A análise realizada foi principalmente quantitativa, avaliando os resultados entre as integrantes do consórcio. Foram apurados os números de mulheres em cursos de graduação e pós-graduação, além do número de professoras e funcionárias e mulheres consideradas pesquisadoras de destaque pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em comparação ao número de homens na mesma posição.

Segundo a coordenadora do mestrado em Virologia da Universidade Feevale, Juliane Fleck, responsável pela pesquisa na Instituição, embora seja constante a presença de mulheres nas IES (como estudantes, docentes pesquisadoras ou colaboradoras), isso não corresponde necessariamente à sua participação em posições de destaque (como bolsistas de produtividade do CNPq, presença em rankings e em publicações científicas, cargos de liderança e gestão, entre outros).

Na opinião da pesquisadora, embora  seja necessária uma análise mais aprofundada para descobrir por que isso acontece, as discussões realizadas no evento Mulheres na Ciência, promovido pelo projeto em 2023, deram algumas pistas. “O que vemos é que o papel das mulheres na sociedade brasileira, atrelado ao cuidado (de filhos e de familiares doentes e/ou idosos), a falta de políticas e editais que promovam equidade, e, por mais incrível que pareça, o preconceito (parece mentira que isso possa existir em 2023/2024 em universidades), contribuem para essa realidade”, explica.

Conforme Juliane, verifica-se que áreas STEM são mais impactadas, mas não são as únicas. “Essa realidade não mudará até que ações de equidade saiam do discurso e sejam colocadas em prática. Nesse contexto, projetos como o Mulheres na Ciência, financiado pelo British Council, são de grande valia, e merecem destaque”, completa.

Universidade Feevale

Na Universidade Feevale, por exemplo, do total dos estudantes de graduação, 57,27% são mulheres e, entre cursos nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM), o percentual é um pouco maior: 54,68% são mulheres. Nessas áreas, a maior representação de mulheres encontra-se nos cursos de Estética e Cosmética (100%) e Biomedicina (90,1%), enquanto a menor representação está nos cursos de Engenharia Eletrônica (3,3%) e Engenharia Mecânica (5%). Já a maior paridade entre esses cursos é evidenciada na Quiropraxia (50,9%) e na Engenharia Química (56,8%).

Do total de estudantes de especialização na Feevale, 65,31% são mulheres e, entre os cursos STEM, o percentual sobe para 85%, sendo a maior representação em Microbiologia de Alimentos e em Saúde Estética, ambos os cursos com 100% de mulheres. Já a menor representação de mulheres ocorre em Quiropraxia Clínica Avançada (71,4%) e em Imagenologia (71,4%). No mestrado, 70,05% dos estudantes são mulheres e, no doutorado, o percentual é de 70,9%.

Na Universidade Feevale, do total de docentes, 55,75% são mulheres. Entre professores, funcionários e estagiários, o percentual de mulheres chega a 61% do quadro.  Os cursos que possuem maior representação de professoras nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) são Nutrição (100%) e Estética e Cosmética (85,7%). Já o curso com maior paridade de docentes nessas áreas é o de Biomedicina (50%). Do total de pesquisadores bolsistas de produtividade CNPq, 54% são mulheres.

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