POR JULIANO PALINHA: “Não posso me machucar, preciso trabalhar”, motociclista que caiu na minha frente

16 de junho de 2023 - 19:45
Por Juliano Palinha

Mais um dia triste que fica marcado na nossa história. Triste para nós leopoldenses, triste para nós gaúchos, afinal o Estado está debaixo d´água.

Passei o dia na rua, fazendo lives e fotos para atualizar os leitores e telespectadores da Berlinda. Algumas cenas marcaram, como a retirada do corpo do jovem que caiu com o seu carro no rompimento de uma ponte no Santo André. É uma imagem que não será fácil  esquecer.

Tentando voltar para casa

Outra imagem chocante  foi  de uma mulher  que tentava voltar para casa após uma noite de trabalho. Estava na  primeira live  do dia (apesar de ainda ser noite às 7 horas da manhã), quando, repentinamente, surge a dona Eliane. Ela caminhava em direção a Cohab-Feitoria, depois de ter encerrado o expediente às 5 da madrugada. Pegou dois  Uber, mas nenhum conseguiu chegar em casa por conta da água e os motoristas não queriam arriscar. Dona Eliane  decidiu ir a pé. Espero que tenha chegado bem!!!

“Não posso me machucar, preciso trabalhar”

No entanto, a cena mais emblemática  foi a queda de uma motociclista na minha frente. Estava fazendo uma live na Avenida Imperatriz (debaixo de água)  e a motociclista trafegava no sentido Feitoria/Centro. No momento que alertava sobre o risco  no cruzamento entre Imperatriz e Pedro América, a motociclista resolveu atravessar o trecho alagado. Ela tentou mas acabou batendo no cordão que separa a ciclovia do canteiro central e caiu. Ao ajudá-la a levantar a moto perguntei se estava machucada. “Não posso me machucar, preciso trabalhar”., disse empurrando a moto que não ligou mais.

Dor e solidariedade

Em meio a tragédia, a  solidariedade de quem chegava no ginásio Celso Morbach com cobertores, roupas, colchões e, principalmente, alimentação me comoveu e me encheu de esperança  vendo sociedade civil e poder público juntos, sem aquelas palavras que finalizam com “istas”. Cena de paz e  solidariedade diante de tanta dor e sofrimento. É nessas horas que podemos acreditar na humanidade e que juntos conseguimos superar dias como sexta-feira, 16 de junho de 2023, uma data para ficar na história que jamais será apagada.

Notícia anterior
Próxima notícia

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Escute a rádio ao vivo