Policiais militares investigados por tortura e abuso de autoridade em Novo Hamburgo são presos em Porto Alegre

4 de janeiro de 2023 - 21:08

Dois dias depois de serem afastados das funções na Brigada Militar, os dois soldados investigados por terem colocado uma sacola na cabeça de uma mulher algemada durante uma abordagem em Novo Hamburgo foram presos na manhã desta quarta-feira (4).

A dupla foi detida preventivamente em Porto Alegre. O caso é investigado como abuso de autoridade e tortura, de acordo com a nota divulgada pela Corregedoria-Geral da Brigada Militar.

Ainda conforme a nota, a corporação reforça que a prática registrada em vídeo não condiz com a atividade policial. O inquérito policial militar deve ser concluído ao final desta semana.

O caso aconteceu na noite de domingo (1º), no bairro São José, em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, em abordagem dos policiais ao bar do marido da mulher que aparece algemada nas imagens.

Na segunda-feira (2), os dois policiais — que não tiveram o nome divulgado — foram chamados a depor, mas optaram por ficar em silêncio.

Entenda o caso

Sem querer se identificar, por medo de represálias, a mulher que aparece em um vídeo durante uma abordagem da Brigada Militar, em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, afirma que sente “medo” após a ação — considerada fora dos padrões pela própria corporação. Na ocorrência da noite de domingo (1º), no bairro São José, dois policiais militares teriam agredido ela e o marido. O caso veio à tona depois que imagens que mostram um PM colocando um saco plástico sobre a cabeça da mulher circularam em redes sociais.

O casal, alvo da ação, foi localizado e ouvido pela reportagem da RBS TV. A mulher falou, anonimamente, sobre o ocorrido. O companheiro dela corroborou o relato, mas preferiu não conceder entrevista.

A situação chegou também à Corregedoria da Brigada Militar que abriu inquérito para investigar a situação e espera concluí-lo em uma semana. Os dois agentes envolvidos no caso foram afastados enquanto corre o inquérito policial. Chamados a depor na segunda-feira, eles ficaram em silêncio.

A vítima disse que temeu pela própria vida durante a abordagem:

— Eu tava aqui fora, tomando cerveja, porque é normal eu vir pra cá, né? Aí a polícia veio e simplesmente abordou meu marido. Aí ele pegou, e veio já com a arma na cabeça dele: “Entra, entra, entra”. Nós entramos. Ali foi um filme de terror. Botaram saco na cabeça dele, algemaram ele, bateram nele. Aí vieram em mim.

Botaram saco na minha cabeça. A sorte foi que a pessoa foi e filmou, se não acho que não ia nem estar mais aqui — disse.

Segundo testemunhas, os policiais fecharam a porta do bar durante a abordagem ao casal. A filmagem foi feita por meio de uma fresta. A mulher que aparece nas imagens diz que os agentes pediam por informações e também afirma que os policiais roubaram dinheiro na ação:
— Até as bebidas eles levaram. Levaram bebida, levaram força de dinheiro, que é o nosso sustento.

Para o corregedor-geral da BM, coronel Vladimir da Rosa, embora o caso ainda esteja sob investigação, as imagens da mulher tendo o saco plástico posto sobre a cabeça já evidenciam desrespeito aos manuais da corporação.

— É impactante no sentido de que foge do padrão operacional que nós adotamos, que todos os dias é trabalhado nas paradas de serviço quando os profissionais ingressam para tirar o seu serviço e tem a conversa com o coordenador, sargento, tenentes, capitães sobre o procedimento de melhor agir em prol da nossa sociedade — afirmou o oficial.

A mulher abordada diz que os policiais fugiram do local ao perceber que a ação estava sendo filmada e que ameaçaram matá-los, caso o vídeo fosse publicado.

— Medo, medo. Porque os que tinham que estar protegendo a gente fizeram isso — comenta.

GZH

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