ESPECIAL: Como a técnica de atualização do rosto ajuda nas buscas de pessoas desaparecidas?

21 de julho de 2022 - 11:37

Com o desaparecimento da advogada Alessandra Dellatorre, 29 anos, no último sábado (16), em São Leopoldo, surgiram na mídia novos e antigos casos de pessoas desaparecidas na região. Muitas famílias, não só aqui, mas em todo o País e no mundo acabam tendo que conviver com a dúvida, já que mesmo com investigações intensas, existe grande dificuldade em encontrar o familiar. E com o passar dos anos, a dificuldade aumenta, já que há mudanças no corpo trazidas pela idade.

Um caso conhecido mundialmente e que representa bem essa situação é o da menina britânica Madeleine Mccann que desapareceu quando tinha três anos, enquanto dormia em um hotel de Portugal há 15 anos. Como estaria Madeleine agora, com 18 anos? Essa pergunta passa pela cabeça de muitos pais que perdem seus filhos e uma atualização do rosto do desaparecido também ajudaria a polícia nas investigações.

Para responder essa questão e auxiliar nas buscas, o Instituto Geral de Perícias dos Estado (IGP) trabalha com uma reconstrução e atualização de face de pessoas desaparecidas. Chamada de Aproximação Facial Forense, a técnica é realizada pelos Departamentos Médico-Legal e de Criminalística do IGP, utilizando retratos falados com base em fotos antigas ou até mesmo imagens do crânio da vítima.

Para isso, porém, os peritos não usam nenhum tipo de ferramenta ou programa específico. Para atualizar o rosto de alguém desaparecido, principalmente em relação à progressão de idade, os peritos avaliam as características faciais do ponto de vista biológico, por meio de uma análise dos traços dos familiares e da composição genética. “Por exemplo: crianças não possuem um queixo proeminente, mas caso o pai possua, é possível presumir que ela venha a ter quando ficar mais velha, mas não é certo que vá acontecer. O cabelo tende a escurecer com o passar do tempo, mas se os pais tiverem cabelos claros, esse escurecimento na aproximação facial é suavizado. Assim por diante…”, explicou a  perita do Departamento Médico-Legal, Rosane Baldasso.

Entretanto, é preciso levar em consideração também as modificações que ocorrem pelo próprio estilo de vida da pessoa, como variações de peso e perdas dentárias. Para isso, os fotógrafos criminalísticos utilizam softwares de edição de imagem para realizarem uma projeção. No entanto, o perito criminal Luciano Beux, do Departamento Criminalístico, lembra que o reconhecimento é uma aproximação. “Nunca vai ser 100%, mas a perícia busca fazer o mais parecido possível”. Ele também ressalta que é importante buscar outros meios de identificação primeiro, como digitais, arcada dentária e DNA, e considerar a aproximação facial forense após todos os resultados anteriores serem negativos. “Nos Estados Unidos, a aproximação forense é feita em menos de 5% dos casos, justamente porque tentam por outros meios antes”, explicou o perito.

Mãe se emociona com nova imagem de filho desaparecido

Daniel Barbosa Simões foi visto pela última vez no domingo de Páscoa de 2006, em Pelotas, quando tinha apenas 18 anos. Desde então, a mãe Marlene Simões mobiliza buscas e investigações particulares para tentar encontrá-lo. Usando uma foto antiga do rapaz e uma feita para a carteira de identidade, foi criada uma nova imagem, projetando como ele estaria hoje, aos 34 anos. A equipe foi composta por uma perita criminal da Seção de Antropologia Forense do Departamento Médico Legal, um perito criminal da Seção de Perícias em Áudio e Imagem e um fotógrafo criminalístico da Seção de Fotografia Forense, ambos do Departamento de Criminalística.

A delegada Walquíria Meder, que cuida do caso do desaparecimento de Daniel, afirmou que o resultado trazido pelo IGP é muito realista. “Se consegue perceber perfeitamente os traços do Daniel, mas na figura de uma pessoa mais velha. Dona Marlene se emocionou olhando a projeção do rosto que o filho teria hoje”, declarou.  O telefone para quem tiver informações sobre o paradeiro de Daniel é o (53) 3222-3460, da 2a Delegacia de Polícia de Pelotas.

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