Crise hídrica eleva risco de apagão a partir de outubro

30 de agosto de 2021 - 07:47

Relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) adverte para a urgência em aumentar a geração de energia sob o risco de apagão a partir de outubro. A revisão foi necessária após observar acumulados de chuva abaixo do previsto.

Pela análise do órgão, os reservatórios das usinas estão com as piores afluências de água em 91 anos. Para evitar apagões, será preciso gerar em média 5,5 gigawatts a mais. O órgão recomendou ao governo o aumento no uso das termelétricas e considera importar energia de países vizinhos.

Conforme dados do operador nacional do sistema, os reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste, que respondem por 70% da geração de energia do país, operam com 22,5% da capacidade de armazenamento.

Significa que o consumo de energia tende a ser maior que a oferta. Por isso, é necessário ampliar a economia de luz e adicionar novas fontes adicionais de energia. Do contrário, a chance de apagão aumenta.

Em transmissão pela internet, o presidente Jair Bolsonaro admitiu o perigo da crise hídrica e fez um apelo à população para que economize energia. “Apaguem um ponto de luz em casa”, disse. Na quarta-feira, 25, o Ministério de Minas e Energia anunciou que premiará consumidores que economizarem luz.

Por outro lado, a bandeira tarifária deve subir a partir de setembro. Em junho, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aumentou o custo da bandeira vermelha 2 em 52%. O valor foi de R$ 6,24 a R$ 9,49 para cada 100 kwh (quilowatts-hora) consumidos.

Os piores meses

Julho e agosto tiveram os menores índices de chuva no centro do pais. A nota do ONS, atualiza as condições de atendimento do sistema interligado até novembro de 2021. O operador traçou dois cenários. No primeiro, chamado de “Caso A”, os principais reservatórios da bacia do rio Paraná chegam ao fim do período seco em outubro, com níveis baixos de armazenamento.

A escassez de chuva no centro do país deve prosseguir até novembro. Caso volte a normalidade, estima-se que até abril os reservatórios possam retomar aos níveis normais.

Chuva no RS não ajuda sistema

A energia gerada a partir das hidrelétricas gaúchas compõem o Sistema Interligado Nacional (SIN) e inclui o que vem de fora do estado, como, por exemplo, de Itaipú. Assim, na hipótese de esgotamento do setor elétrico no Brasil, mesmo se estiver chovendo demais no território gaúcho, os cortes alcançarão o estado.

Desta forma, mesmo com o acumulado de chuva acima de 100mm registrado nos últimos dias, a precipitação não reflete para mitigar a crise do setor energético.

 

Fonte: Grupo A Hora

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