Jornalista escreve livro com narrativas da pandemia da Covid-19 no Hospital Centenário

30 de abril de 2021 - 21:28

Uma coletânea de histórias. Histórias de recomeço, de resinificados, de novos olhares das pessoas em direção à vida e ao outro. Histórias com protagonistas de muitos tipos, gente que cuida e gente que precisa ser cuidada. Histórias que precisavam ser contadas para que a pandemia não se reduzisse a números e estatísticas. Escrito entre os meses de setembro e dezembro de 2020, As Cinco Badaladas do Sino (Catarse, 2021) reúne narrativas da pandemia da Covid-19 no Hospital Centenário, de São Leopoldo, e será lançado às 18h do dia 12 de maio, dentro das atividades alusivas aos 90 anos da casa de saúde e da semana da enfermagem. O lançamento seguirá todos os protocolos de distanciamento social.

De autoria da jornalista Ana Garske, o livro contém, em 23 crônicas-reportagens, relatos de superação e alegria pela oportunidade do recomeço de quem venceu a doença. Na outra margem, cheios de saudade, familiares e amigos refazem a trajetória de entes queridos que tiveram a vida e os sonhos arrancados abruptamente pela fúria do vírus. “Este livro nasceu de um imenso desejo de dar voz e rosto a homens e mulheres que perderam suas vidas para a Covid-19, aos que se recuperaram e agora acrescentam novos capítulos às suas existências, e, em igual medida, aos profissionais de saúde que desde o princípio desse período brutal têm se dedicado a salvar o maior número de pessoas. Eu diria que se trata de uma coletânea de narrativas sobre humanidades”, resume a jornalista.

Sobre a obra, o escritor Henrique Schneider, que escreve a apresentação, destaca: “A cada história contada, eu via na minha frente a pessoa (ou as pessoas) cuja vida havia de alguma maneira se transformado por conta desse vírus que a Ciência ainda busca entender e combater, enfrentando tanto a doença quanto o obscurantismo, e a emoção de quem contava a história ou a escrevia era também a minha emoção.”
O posfácio é assinado pelo historiador Ibanês Mariano, e resgata a trajetória de resistência da instituição que, de tantas situações delicadas com as quais já teve que lidar ao longo de sua existência, vive agora seu maior desafio. “Os espaços públicos que preservam vidas, que as mantêm – nos quais as pessoas que trabalham, e, por vezes, também se tornam vítimas, mas nunca deixam de dedicar as suas vidas – devem ser glorificados. Neste contexto, o Hospital Centenário, que hora completa 90 longevos anos, não dá sinais de ter perdido o seu vigor, mas se recupera a muitas mãos, todos os dias.”

Mais de 400 pessoas já perderam a vida para a pandemia em São Leopoldo. Único hospital público da cidade e com abrangência regional, o Centenário chegou aos 90 anos enfrentando a maior crise sanitária de sua longa existência. Nele, atuam cerca de 1.000 profissionais entre concursados, terceirizados e processos seletivos.

Com 186 leitos, dividiu sua estrutura para o enfrentamento ao vírus. Criou a Área Covid com 18 leitos de UTI e 36 de enfermaria e registra, quase semanalmente, superlotação de sua capacidade.

A presidente do Hospital Centenário, Lilian Silva, decisiva em toda a reestruturação da instituição para o enfrentamento à doença destaca: “As histórias registradas neste livro, produzido com tanto carinho, são relatos emocionantes do que vimos e vivemos na primeira onda do coronavírus. Desde o início da pandemia, todas as nossas atenções foram voltadas aos pacientes e aos profissionais da saúde, mas não tínhamos a dimensão de quanto isso impactaria na vida das pessoas, já que lidávamos com algo invisível, novo. A realidade descrita em cada crônica me fez voltar a um dos momentos mais tensos que vivi em toda minha trajetória, mas me conforta saber que entre tanta…

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